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Dia da Filosofia
Por Laura Costa (Aluna, 11°G), em 2021/12/0296 leram | 0 comentários | 13 gostam
O Negacionismo, a pandemia e Saramago
“Cegos que, vendo, não veem”. Essas foram as palavras de José Saramago na sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, de 1995. Aplicado à realidade atual, o que isto significa? Quem são essas pessoas?
Como sabemos, e para contextualizar, vivemos num Estado democrático, onde cada indivíduo tem o direito de questionar e expressar os seus pensamentos livremente. No entanto, cada vez mais essa liberdade parece tornar-se prejudicial ao “olhar” de alguns.
Acontece que a Pandemia que vivemos atualmente, pelo Covid-19, mostrou-nos um lado obscuro de determinados membros da nossa sociedade; pessoas que optam por admitir (e propagandear) informações sem quaisquer bases, ou fundamento, sem dados científicos, e questionam a legitimidade e a autoridade daqueles que dedicam as suas vidas às pesquisas, negando o que está, literalmente, na “frente dos seus olhos”. A isso chamamos negacionismo. Mas, em poucas palavras, como podemos definir negacionismo?
“A recusa em aceitar uma realidade empiricamente verificável, sendo essencialmente uma ação que não possui validação de um evento ou experiência histórica”, foi a definição atribuída por Paul O’Shea, em 2008.
Presentemente, os negacionistas em maior evidência são aqueles que refutam a existência da Pandemia por Covid-19 e a eficácia da(s) vacina(s). Uns, por uns motivos, outros, por outros. Porém, os motivos não transparecem, não são desconstruídos com igual força nos Media.
Todavia, para nós que escolhemos acreditar nos resultados das investigações, nos cientistas e nos seus estudos, todas aquelas teorias “apregoadas” como fiáveis são completamente falsas; a maioria é ilógica e algumas são dignas de um livro de ficção científica (no mau sentido). Porém, se, em princípio, esses indivíduos são seres racionais e livres como nós, como é possível que aceitem estas ideias? E por que razão ou razões as difundem como verdades?
É, então, difícil explicar o que leva uma pessoa a demonstrar comportamentos tão defensivos, ou até mesmo de certa “idolatria”, em relação às atuais “teorias da conspiração”, ou aos seus autores. Contudo, não é impossível encontrarmos atitudes semelhantes no nosso dia-a-dia que nos ajudam a compreender tal conduta. Um exemplo concreto são os jovens que criam fan clubs para os seus artistas ou influencers preferidos. Independentemente do que os seus ídolos façam, por mais grave que seja, os fans continuam a defendê-los cegamente. O mesmo acontece com os negacionistas. Porém, diferentemente de adolescentes indefesos da internet, as consequências daqueles seus atos são prejudiciais ao país, podendo ser fatal realmente para algumas pessoas que os sigam acriticamente.
Assim, concluímos que os “Cegos que, vendo, não veem” são aqueles que, mesmo com toda a informação disponível escolhem ignorá-la, escolhem ser cegos e não ver. E Saramago, há mais de duas décadas, estando “cego” ao nosso presente, parece que anteviu. Anteviu que no ano de 2021 estaríamos no meio de uma Pandemia, mas não previu a pandemia de Covid-19; viu a de cegueira dos homens. Um Portugal, e um mundo, repleto de cegos. Cegos à ciência; cegos à informação; cegos aos próprios valores; cegos à realidade alheia.
Foi o acaso? Foi um pressentimento? Nunca saberemos, mas ele viu.


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