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Sabias que… História com Letras
Por Rita Figueiredo (Aluna, 10°J), em 2020/12/14110 leram | 0 comentários | 41 gostam
Lenda de Esposende - O caçador de Belinho
Conta a lenda que havia um caçador, o caçador de Belinho, que andava de arco e flechas pela freguesia, dando provas da sua hábil pontaria.
Tudo começou quando a população vizinha lhe foi bater à porta, pedindo-lhe que a livrasse de uma praga. Os lobos e as raposas, que invadiam os montes, tinham descido para as quintas e povoados, devastando os galinheiros. Sem pensar duas vezes, o caçador prontamente se ofereceu para os ajudar. Imediatamente se pôs a caminho e assim que encontrou a primeira raposa, atirou-lhe com uma flecha, abatendo-a. Depois, sob um penedo, esperou que outra o enfrentasse, mas acabou por tropeçar e partir ambas as pernas. Como tinha caído numa ribanceira, e percebendo que não se conseguia mover, gritou por ajuda, mas ninguém o conseguia ouvir. Reparou, também, que estava indefeso, já que perdera o seu arco e flechas.
Já exausto com as dores e cansado, decidiu pedir ajuda a Deus, recorrendo, como intermediário, a Santo Abade Amaro, em quem depositava a sua fé e cuja imagem se encontrava no convento onde fora noviço, implorando-lhe que lhe desse umas pernas novas, capazes de o fazerem sair de onde se encontrava, para se afastar dos perigos da noite que se aproximava. Depressa caiu numa estranha sonolência. De súbito, viu ao seu lado um frade franciscano que lhe ordenou, num tom suave, que se levantasse e caminhasse.
Como já não sentia dores, facilmente se colocou em pé e caminhou. Reparou, então, com surpresa, que tinha umas novas pernas, e, com espanto, que o seu pedido tinha sido realizado. Prosseguiu o seu caminho, e após ter percorrido três léguas até ao mosteiro de São Romão, viu, através de um raio de sol, o rosto do Santo Abade Amaro iluminado. Percebendo tratar-se da figura que o ajudara no monte, agradeceu-lhe a graça concedida.
Mais tarde, ao reparar que este milagre se dera no dia 15 de janeiro, dia do Santo Abade Amaro, decidiu erguer-lhe uma capela, onde foi colocada a própria imagem da Igreja do convento.
Esta lenda, que remonta ao “tempo dos afonsinhos”, fora contada, em 1903 ou 1904, pelo padre João da Paia ao escritor Manuel de Boaventura, que a partilhou com os jornais da sua terra, em janeiro de 1971.







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