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ESHM dá palco à Filosofia e aos seus Dilemas
Por Amália Ferreira (Professora), em 2020/11/27138 leram | 0 comentários | 48 gostam
Dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional da Filosofia e, este ano, a ESHM decidiu apostar no debate sobre o impacto das redes sociais no quotidiano.
Se, aparentemente, a resposta é simples, segue uma dica: caiu no erro de tirar uma conclusão precipitada. Uma falácia, portanto. Mas, deixemos os termos técnicos de parte, pois na reflexão é que está a arte.
A pensar na evolução tecnológica, mas também biopsicossocial, associada à própria temática, a ESHM deu um passo em frente e destituiu o “decorar” para dar holofote à reflexão autónoma, ao questionamento, à inovação, numa Era em que nunca foram tão essenciais essas mesmas competências! No final de novembro de 2020, a Filosofia reverberou na Escola Secundária Henrique Medina e fez-se ecoar até bem longe. Na verdade, fez-se jus à sua preponderância, ainda que momentânea, pois esta deveria passar a ecoar na mente de cada um de nós. Atreva-se a questionar sempre!
Platão, filósofo da Grécia Antiga, certa vez, proferiu que “o livro é um mestre que fala, mas que não responde”. Ora, seguindo essa mesma linha de pensamento, propôs-se o Dilema (e não tema!) das Redes Sociais, desafiando os alunos do 10.º ano a procurarem, por si mesmos, as questões-problema e, posteriormente, reflexões autónomas sobre as mesmas. Durante semanas, os alunos, após a visualização de um documentário e da leitura crítica de um texto argumentativo, dedicaram-se a projetar as suas ideias em papel e a “dar vida” aos seus pensamentos através de palavras e reflexões esparsas. No final, a obra nasceu. E que obra! Em novembro, em dois pavilhões da Escola, vigoraram diversos cartazes, suspensos por cordas (representativas das ligações pensantes sólidas que construíram), e ainda uma chamada de atenção para a necessidade de precaução ao “andar” nas Redes, pois “arriscamo-nos a ficar de tal forma imbuídos nestas, que podemos cair nesse abismo sem retorno”. Os alunos de Artes representaram esta situação com a construção de teias de aranha de onde pendia uma aranha negra à espera dos incautos.
De facto, o impacto daquelas tão badaladas plataformas é ambivalente, e daí nasce o dilema: as redes sociais aproximam-nos ou afastam-nos? Usamos as tecnologias para estarmos constantemente ligados; mas, e se nos esquecermos de estar ligados à realidade, ou até mesmo à veracidade? No século XXI vivemos uma pandemia de fake news, de influências vagas e de exploração exaustiva. Tudo o que consumimos é objeto de comércio e, como tal, as nossas informações tornam-se a moeda mais valiosa que existe no mundo digital. Por outro lado, quão bom é poder “aceder a toda a informação acerca dos nossos ídolos”? Quão prazeroso é ter abundância de informação à distância de um clique? Esquecemos, porventura, que deixamos igual quantidade de informação acerca de nós próprios sem dominarmos quem a usa (ou dela abusa)? O Homo sapiens torna-se homo facebookus?


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