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"Silêncio", na perspetiva de uma aluna
Por Inês Lopes (Aluna, 11ºC), em 2018/02/0559 leram | 0 comentários | 19 gostam
Esta enorme produção cinematográfica, passada no século XVII, acompanha a história de dois padres portugueses jesuítas, perseguidos no Japão, durante a missão de resgate do seu mentor, que, sob tortura, terá renunciado a Deus.
Centrado num contexto verídico, retrata eximiamente os choques de culturas entre jesuítas (que, até hoje, permanecem), remetendo inclusivamente para as periclitantes perseguições através de cenários vívidos e efeitos sonoros diversificados. Também a presença dos três jesuítas portugueses, Francisco Garupe, Sebastião Rodrigues e Cristóvão Ferreira, contribui para esse realismo. Reitera-se que, embora tenham sido mais verosímeis enquanto jesuítas do que enquanto portugueses, não refutaram, contudo, aquilo que é o espírito jesuíta.
É exequível estabelecer-se uma intertextualidade com o “Sermão de Santo António”, uma vez que, assim como o padre António Vieira criticou os homens, metaforicamente simbolizados pelos Peixes, atribuindo-lhes defeitos e qualidades, também neste filme se pretende criticar os cristãos que renunciam à sua fé, em vez de serem fieis à sua religião.
“Silêncio” é, então, indubitavelmente, uma reflexão de uma situação histórica, que pretende consentir a fé a um nível global, enfatizando a dúvida, a indiferença de Deus perante o sofrimento humano. Isto é, aos jesuítas parecia-lhes que, perante as provações a que estiveram sujeitos para defenderem a sua religião, Deus lhes estivera indiferente e a todo o sofrimento humano.
O filme releva, essencialmente, o sofrimento cristão no Oriente, não vilipendiando os japoneses como um todo, sendo por isso uma visão unilateral da condição humana expressa pela realização do filme.


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