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Uma tarde com Valter Hugo Mãe
Por Fernanda Vilarinho (Professora), em 2016/02/24304 leram | 0 comentários | 37 gostam
No dia 18 de fevereiro, a nossa Escola, numa iniciativa promovida pela Biblioteca Escolar, teve a honra de receber um dos mais conceituados escritores portugueses da atualidade – Valter Hugo Mãe.
Com o auditório da Escola completamente lotado, cerca de 150 pessoas, entre professores e alunos, não quiseram perder a oportunidade de ouvir o escritor. Num ambiente de absoluta contemplação, Valter Hugo Mãe respondeu às questões relacionadas com os seus livros, deixando à plateia verdadeiras lições de vida, repletas de uma humanidade extrema, bem patente na sua literatura. Segundo ele, “antes de sermos futebolistas, médicos ou engenheiros, deveríamos ambicionar ser boas pessoas”. Se as escolas devem formar as crianças e os jovens para serem “boas pessoas”, esta sessão contribuiu, sem dúvida, para incutir nos nossos alunos um pouco dos valores que hoje estão tão esquecidos na sociedade.
De forma a mostrar o nosso apreço pela presença de Valter Hugo Mãe, tivemos dois momentos-surpresa, protagonizados por alunos do 10ºH. O primeiro foi a leitura expressiva do conto “Modo de Amar”, do mais recente livro de Valter Hugo Mãe - “Contos de cães e maus lobos" - por André Barros, seguido da declamação do poema “Elegia à Desumanização”, escrito e dito por Dora Barbosa.
Partilhamos com o nosso leitor o texto que mereceu especial atenção de Valter Hugo Mãe ao solicitar à aluna um exemplar do mesmo.

Elegia à “Desumanização”

Livro com arte escrito,
Deixa o coração cheio.
E tudo o que lá é dito
Ao leitor não deve ser alheio.

Foi como uma sinfonia;
Lê-lo dia após dia.
Fala de uma humanidade
Esquecida no mundo de verdade.

Vi como uma família unida
Depressa pode ficar partida
Até porque, após tanto se dividir,
Halla foi obrigada a fugir…

Não imagino o que seria,
Mas, honestamente, também não queria
A dor de uma irmã perder
E sem ela continuar a viver.

Vimos as flores florir…
Uma mãe a desejar morrer;
Um pai a não saber reagir;
E uma irmã a desfalecer.

Tratava-se de uma adolescente,
Penso que é fácil de perceber,
Que da irmã ficou carente
E o mundo quisera esquecer.

Halla precisava de se confortar…
De encontrar um ombro amigo…
Foi então que apareceu Einar
Que a seu lado quis ficar.

Com engenho e atento ao pormenor
A história vai num crescendo de emoção,
tornando mais cúmplice o seu leitor
na descoberta do sentido da “Desumanização”.

Eis Valter Hugo Mãe, o artista!
Que nos vai deixando uma e outra pista
Do que é verdadeiramente a vida real
Dividida sempre entre o bem e o mal.

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