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A Desculpa para ignorar
Por David Lima (Aluno, 11ºD), em 2016/01/15127 leram | 0 comentários | 33 gostam
A recente vaga de refugiados sírios que a Europa tem presenciado, nos últimos meses, tem sido um verdadeiro divisor de opiniões.
Grande parte da população dividiu-se em relação a como se deve lidar com esta crise e se os refugiados devem ser, ou não, acolhidos pelas nações da União Europeia.
Por um lado, temos de reconhecer, compreender e identificar as falhas dos argumentos utilizados por aqueles que são contra o acolhimento dos refugiados: a Europa vai ficar islâmica, altas taxas de natalidade, aumento da criminalidade e colapso dos sistemas sociais e económicos. Realmente, analisando os factos, podemos descartar imediatamente o primeiro argumento. Mesmo que a União Europeia, sozinha, acolha todos os 4 milhões de refugiados sírios e, hipoteticamente, todos eles sejam muçulmanos, isso faria apenas com que a percentagem de praticantes da religião islâmica subisse de 4% para 5%. Isso não é nenhuma subida drástica e não tornaria a Europa um continente muçulmano. Minorias islâmicas não são nada a temer! Além disso, os “anti – refugiados” sustentam que as altas taxas de natalidade, por parte dos refugiados, podem levar a que, dentro de algumas décadas, a população refugiada seja uma maioria. Isto também é, de certa maneira, um equívoco. Apesar da taxa de natalidade entre muçulmanos, na Europa, ser maior do que a dos não-muçulmanos, diminui à medida que as famílias se adaptam ao estilo de vida desenvolvido. E, por demais, as taxas de natalidade na Síria eram bastante baixas, antes mesmo do início da guerra civil.
Por outro lado, o medo da grande parte do mundo Ocidental é que os refugiados levem ao aumento da criminalidade. Cidadãos respeitáveis creem que, disfarçados entre os refugiados, vêm terroristas da ISIS. Ambos os argumentos têm os seus pontos fracos. Quando acolhidos por um país, os refugiados são mais propícios a seguir um caminho sem crimes do que a enveredar pela criminalidade, pelo simples motivo de que eles têm muito a perder – podem mesmo ser deportados de volta para a Síria. E, quanto aos terroristas da ISIS infiltrados (apesar de ser algo possível, não é algo muito provável) Caso seja verdade, são casos pontuais e que não devem causar grande estrago. A ISIS prefere consolidar o seu território no Médio Oriente do que provocar ataques terroristas em nações que não têm qualquer influência e que podem gerar uma série de ataques de retaliação.
Entretanto, foi disseminado na internet que os refugiados, que virão para os países europeus, não necessitam realmente de ajuda, devido a diversas imagens de refugiados com smarthphones. De facto, estes aparelhos (temos de recordar que, antes da guerra, a Síria não era uma país primitivo), são essenciais na vida dos refugiados (devido aos GPS, facebook, em que grupos de refugiados partilham inúmeras informações). Isto só prova que os refugiados são pessoas civilizadas, a fugirem de uma situação terrível.
Por fim, há quem aponte que a sua presença vai desmoronar os sistemas sociais e os económicos, pois a ajuda prestada pode afetar a economia. A verdade é que a vinda dos refugiados pode ser uma bênção. Mais jovens e qualificados (sim, a juventude síria é, maioritariamente, qualificada) significa que a economia pode ser rejuvenescida. Os sírios podem contribuir para a segurança social, que, devido à crescente população idosa do continente europeu, está a passar por tempos difíceis. Ao longo do tempo, irão devolvendo tudo aquilo que poderão ter recebido numa fase inicial e poderão contribuir muito mais do que o que agora recebem. Além disso, trabalhadores sírios que pertenciam ao setor primário podem alavancar a agricultura europeia, fornecendo mão-de-obra barata.
Com todos os factos aqui expostos, parece-me claro que devemos acolher os refugiados que fogem da destruição do seu país natal e que, se bem executado, este acolhimento pode trazer apenas vantagens. A história está a ser escrita neste momento. Queremos ser relembrados como cobardes ricos e xenofóbicos que se esconderam atrás das suas fronteiras, ou como povos que acolheram os seus iguais, em tempos de necessidade extrema?


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