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Crise de Refugiados
Por David Lima (Aluno, 11ºD), em 2016/01/15204 leram | 0 comentários | 32 gostam
No verão de 2015, a Europa presenciou o maior fluxo de refugiados desde a 2ª Guerra Mundial. Porquê? A razão principal é a Síria se ter tornado a maior fonte de refugiados do mundo.
A Síria está localizada no Médio Oriente, uma terra fértil e antiga, que existe há pelo menos 10 mil anos. Desde os anos 60 que o país tem sido liderado pela família Al-Assad (presidente Bachar Al-Assad, atual presidente sírio), que governou num regime semi-ditatorial, até à Primavera Árabe, de 2011. A Primavera Árabe foi um período de uma onda de protestos e revoluções, no mundo islâmico, que levou à queda de muitos regimes autoritários (Egito, Líbia…). No entanto, os Assad recusaram-se a sair do poder e iniciaram uma sangrenta guerra civil. Diversas etnias e grupos religiosos lutaram entre si, em alianças temporárias.
Em meados de 2013, o Estado Islâmico, um grupo militar jihadista, aproveitou a oportunidade e entrou na guerra, com o objetivo de formar um califado islâmico totalitário. Pouco tempo depois, tornou-se numa das organizações extremistas mais violentas, ricas e bem-sucedidas.
Em ambos os lados da guerra cometeram-se crimes hediondos, sendo o mais célebre a suposta utilização das armas químicas por parte do regime de Assad, que escapou de ser condenado por Genebra, devido à intervenção russa (a Rússia é um dos seus principais aliados). Porém, o Estado Islâmico ultrapassou, em larga escala, as barbaridades cometidas, desencadeando execuções em massa, tortura em larga escala, e sucessivos ataques letais em civis.
A população Síria ficou encurralada entre um regime autoritário, grupos rebeldes e religiosos extremistas. Só havia uma solução possível: fugir.
Um terço da população Síria teve de migrar dentro do próprio país, enquanto que 4 milhões fugiram dele. A maioria esmagadora, agora, reside em refúgios nos países vizinhos que estão a abrigar cerca de 95% dos refugiados, enquanto que os países do Golfo Pérsico, juntos, se recusaram a acolher qualquer sírio (mapa em baixo), o que já foi severamente criticado pela Amnistia Internacional.
A ONU e o Programa Alimentar Mundial não estavam preparados para uma crise de refugiados nesta escala e, em consequência, muitos dos campos refugiados encontram-se sobrelotados e com falta de recursos, submetendo pessoas ao frio, à fome e a doenças. Com perspetivas de futuro terríveis, os refugiados começaram a olhar para a União Europeia - a união de nações mais rica do Mundo - com interesse procurando aí refúgio. Contudo, entre 2007 e 2015, a UE investiu cerca de 2 mil milhões de euros em controlo de fronteiras e quase nada na prevenção de uma crise de refugiados. Deste modo o continente estava completamente despreparado para um fluxo de imigrantes desta escala.
Segundo a Convenção de Dublin, na UE, o refugiado é obrigado a permanecer no país onde chegou, em primeiro lugar. Neste caso, a Convenção fez com que os refugiados fossem obrigados a permanecer nos países de fronteira, tais como: a Grécia, a Itália e a Hungria. Estes países, com especial destaque para a Grécia, a braços com notória crise económicas, não se encontram em estado de conseguirem abrigar condignamente todos os refugiados. Na Grécia, ilhas previamente usadas por turistas, abrigaram refugiados, famintos e desesperados.
A maneira como a crise era vista ao redor do mundo mudou de repente, quando uma foto de uma criança síria, morta, numa praia turca, se espalhou pelas redes sociais. A Alemanha anunciou que, sem exceção, acolheria todos os refugiados sírios; mas, dias depois, estabeleceu controlo de fronteira, violando, assim, o Espaço de Schengen, requisitado uma solução ampla do bloco económico.
Há, como em qualquer situação, argumentos contra e a favor da permissão de entrada dos refugiados nos países europeus, que serão melhor exploradas nos artigos de opinião crítica subsequentes; porém é necessário notar que, até ao momento, os políticos se têm mantido neutros em relação a este assunto e a maior parte da ajuda dada aos refugiados provém de atos levados a cabo por grupos independentes de cidadãos.

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