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Filosofia na formação docente no século XXI
Por Saene Viceli (Leitora do Jornal), em 2017/07/18383 leram | 0 comentários | 46 gostam
Como a Filosofia crítica influencia na formação docente no século XXI
A importância da filosofia na formação crítica do docente no século XXI

Introdução

A formação docente demanda da aprendizagem contínua, sendo esta, analisada cuidadosamente, para acompanhar a evolução, buscando um entender significativo de novas idéias e valores. Pois, ensinar não requer apenas repassar informações, mas sim, compartilhar conhecimento, o qual servirá de ajuda para os discentes encontrarem seus valores.
O presente estudo pretende apresentar a importância da filosofia na formação docente no século XXI, e visa a reflexão sobre o agir docente neste contexto. Para tanto, a Filosofia auxilia na formação de um professor reflexivo, em que não estaciona sua busca por conhecimento a partir do momento que entra em sala de aula, mas sim, aquele que objetiva a renovação de saberes. Sendo assim, não se limita ao que aprendeu nos seus primeiros anos de carreira, mas renova seus objetivos em busca de aperfeiçoamento, para acompanhar a evolução dos discentes.
Vale salientar que a filosofia é um meio indispensável para a vida em sociedade, em que permite refletir, questionar, duvidar e criar um senso crítico, resultando na formação do caráter do ser humano.
Porém, vive-se um momento de profundas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais, em que a sociedade deve repensar criticamente seus valores e atitudes. Neste contexto de mudanças e tecnologias, é necessária a adaptação do profissional da educação, sem abrir mão de sua autonomia. Mas, qual é a importância da filosofia na formação do senso crítico neste meio cultural?

Desenvolvimento

Atualmente, os avanços tecnológicos crescem significativamente, mas algumas pessoas não conseguem acompanhar de modo crítico este processo, seja por condições financeiras ou por falta de escolarização de qualidade.
Diante das transformações culturais causadas pelas novas tecnologias, as quais influenciam diretamente nos padrões de conduta, há a necessidade de modificações no sistema educacional. Pois, as redes sociais redefiniram o conceito de comunicação, em que há grande quantidade de informação disponibilizada para todos, restando ao indivíduo a reflexão sobre o certo e o errado.
Nos meios de comunicação de massa estão presentes as propagandas e anúncios, os quais induzem o indivíduo a compra impulsiva, sendo eles enganosos e alienadores, criados para despertar necessidades artificiais aos indivíduos, introduzindo-os à sociedade de consumo, surgida ainda em meados do século XX com a era pós-industrial.
O predomínio desta cultura na sociedade de hoje se explica pelo uso da racionalidade técnica no desenvolvimento da ciência, em que utilizam da razão instrumental, a qual visa produção e competitividade. Assim, surge a racionalização da produção, conhecida como taylorismo, que objetiva o aumento da produtividade por meio da racionalização do trabalho, onde cada funcionário é especializado para desenvolver apenas uma atividade, visando a maior rapidez na produção, desvalorizando o desejo e a emoção pelo trabalho, surgindo operários manipulados e robotizados. Tal forma de trabalho mecânico acarreta em sérios danos à saúde pelo fato de exercer atividades repetitivas ao longo do dia.
Nota-se claramente a racionalização ainda hoje. As universidades oferecem cursos de especialização, os quais objetivam apenas uma determinada área de conhecimento na qual o estudante irá desempenhar. Desse modo, o mercado de trabalho prioriza graduações com especializações, ou cursos técnicos, pois desejam uma resposta técnica, com um resultado eficiente. Sendo os cursos técnicos os mais escolhidos dentre os jovens, pois tem menor duração e custo mais acessível. Portanto, a formação crítica e ética fica em segundo plano, tornando o indivíduo vulnerável ao trabalho alienado.
Este conceito vem desde o esquema pós-fordista, onde quem não se qualifica além da dificuldade de conseguir emprego, corre o risco de perder o atual, criando assim demasiada competitividade. Então buscam por qualificação, pelo motivo de não ficar para trás, ao invés de ser pelo conhecimento obtido. Assim, formam-se profissionais inconscientes, que exercem sua função com a total incapacitação, pois ao fazer algo apenas para que não fique para trás, o indivíduo não fará com a vontade de ampliar o conhecimento, com o intuito de saber mais ou ser melhor, apenas com o desejo de não ficar desempregado.
Desde a antiguidade o trabalho é desvalorizado, sendo praticado pelos escravos, enquanto a atividade teórica era considerada digna do homem, o qual realizava o ócio, atividade na qual homens livres se ausentavam de atividades braçais para refletirem e buscarem pelo saber, sendo assim considerados cidadãos dignos de participarem da pólis.
Já nos dias de hoje, este conceito não obteve grande evolução. Pois, operários são submetidos ao trabalho mecânico e repetitivo, tendo seu tempo de lazer ameaçado pelo cansaço físico e psíquico, sendo incapazes de realizar o ócio. Desse modo, com as energias gastadas durante a semana, os operários apenas desejam descansar, assistindo televisão, por exemplo, a qual oferece programas de entretenimento, alienando os telespectadores, não permitindo que sejam críticos e reflexivos sobre o que presenciam.
Neste contexto, encontra-se a importância da Filosofia para auxiliar na formação de um ser ético e consciente, para não ser manipulado e alienado perante as mídias dos dias de hoje, não sendo um operário mecânico, mas sim reflexivo e crítico. Portanto, a Filosofia contribui para que a educação seja pensada, analisada e refletida, saindo do ativismo, fazer por fazer, sem motivo que esclareça o para que e o porque. Pois, sempre que estudada, a Filosofia, provoca um instinto de questionar, refletir e raciocinar de maneira a despertar o senso crítico.
Ademais, para o início da criação de um senso crítico dos discentes, é viável oferecer ao aluno diversos pontos de vista de uma mesma questão. Assim, a prática do diálogo é fundamental para incentivar os argumentos e as reflexões das razões que os sustentam. Portanto, para que o aluno possa adquirir outros pontos de vista relativos a uma determinada questão, é importante que o professor saiba relacionar assuntos de ideologias diferentes, para então, formar o senso crítico do aluno. Assim, busca-se uma formação ampla que abrange a técnica, mas também a crítica e a ética, formando um cidadão autônomo, sendo um profissional técnico, competente e crítico.
O pensamento crítico não pretende encontrar imperfeições ou erros nem ser pessimista, apenas objetiva a não padronização e a passividade. Os indivíduos críticos buscam impedir equívocos do cotidiano, duvidando das origens das notícias e das mídias, as quais apresentam uma realidade social fictícia e distorcida da realidade. Sendo assim, o indivíduo crítico busca compreender sua realidade social buscando transformá-la, duvidando e questionando tudo o que ouve e visualiza.
Portanto, a mudança começa na educação, tendo como passo inicial os professores, os quais devem ser críticos e reflexivos, comprometendo-se com suas ações, sendo elas éticas e morais, além do mais, ele serve de exemplo e inspiração para seus alunos.
Ademais, o professor deve instigar o senso crítico de seus alunos, abrindo espaço em sala de aula para os mesmo expressarem suas opiniões e reflexões sobre determinado assunto, para os mesmos desenvolverem seu pensar, se tornando também indivíduos críticos, não sendo vítimas da alienação e manipulação.

Considerações finais: Nota-se claramente a alienação e a manipulação impostas pelos meios de comunicação de massa nos dias de hoje. Resta aos indivíduos saberem lidar com esse fenômeno. Para que isso seja possível, é de grande importância o ensino da Filosofia na formação docente, pois, nas escolas devem ser excitados os sentidos de crítica dos alunos por meio do professor, para que os mesmo reflitam sobre seu meio social. Para o desenvolvimento desta atividade entre aluno e professor, é importante que o professor permaneça em constante aprendizado, buscando a renovação do saber e de seus objetivos, para assim permanecer atualizado e acompanhando a evolução juntamente com seus alunos. Para concluir, o estudo da Filosofia oferece a base para pensar, refletir, questionar, duvidar, raciocinar e assim despertar o senso crítico. Portanto, a Filosofia leva conhecimento para transformar os indivíduos em seres conscientes, reflexivos e críticos sobre sua realidade, não permitindo que os mesmos sejam alienados e manipulados.

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lucia A. Trabalho e alienação. 2. ed. São Paulo: Editora Moderna.

NOBRE, Marcos. A teoria crítica. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2011.

MARCONDES, D; FRANCO, I. A filosofia: O que é? Para que serve? Rio de Janeiro: Editora PUC - Rio, 2011.

ARANHA, Maria Lucia A. Filosofia da Educação. 1. ed. São Paulo: Editora Moderna, 2006.

MARX, Karl. Manuscritos econômicos e filosóficos. 1844.


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