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Jornal da Escola Secundária de Rocha Peixoto
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O 25 de Abril de ontem, de hoje e de amanhã
Por Albina Maia (Professora), em 2016/04/11324 leram | 0 comentários | 73 gostam
Há gerações privilegiadas, a minha foi-o sem dúvida.
A Revolução do 25 de Abril, apanhou-me na idade dos sonhos, daqueles projetos que julgamos que conseguem transformar o mundo, com uma idade onde o pessimismo não tem lugar, tinha eu, então, 17 anos. Mas se era um tempo de sonhos também era um tempo em que as preocupações e os medos iam crescendo, pois, dentro em breve, tal como milhares de jovens portugueses, partiria para a Guiné, Angola ou Moçambique. Esta guerra, contra os “turras”, embora fosse lá longe, na verdade, mentalmente, estava muito próxima e presente em quase todas as famílias portuguesas de então. Assim, esta Revolução do 25 de Abril trouxe-me de imediato uma certeza: eu já não iria combater para África. A felicidade tomou conta de mim ….Portugal, por ação dos políticos do Estado Novo, ironicamente, em 1973, cada vez mais velho e decadente, um pais cada vez mais isolado no Mundo, onde a Europa não nos aceitava enquanto não puséssemos fim à ditadura e à guerra colonial e, que tinha como aliados países, tão pouco respeitados, na época, como a Rodésia, a África do Sul e a Espanha.
De repente, numa bela madrugada de uma quinta-feira de abril, alguns homens, um pouco mais velhos que eu, mas todos eles com uma vivência sofrida e angustiada por terras inseguras de África tiveram a coragem e a lucidez de iniciar a Revolução. Será que o povo português quer esta Revolução? Será que o povo português vai aderir em massa? Felizmente estas dúvidas, dos jovens capitães, desvaneceram-se às primeiras horas do dia 25 de abril de 74 com a enchente das ruas e praças de Lisboa, Porto e outras cidades por milhares de milhares de portugueses.
Todos nós temos os nossos heróis, os meus são Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vasco Lourenço, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares. Para ti, para milhares de portugueses, os heróis foram outros e, estes, provavelmente não passarão de uns traidores à pátria, uns vendilhões das colónias, uns oportunistas, etc. etc. Com conhecimento de causa ou sem conhecimento de causa, manifestando esta opinião de uma forma emocional ou racional todos temos direito a uma opinião livre, diferente e divergente. Esta também foi uma conquista e um grande legado do 25 de Abril.
Todos estes meus e, porventura, teus heróis tiveram um sonho e lutaram por realizá-lo: implantar em Portugal os três D (Descolonizar, Democratizar e Desenvolver). Quanto à descolonização, já não há nada a fazer, bem ou mal feita, foi a possível à época e nenhum outro país colonizador fez melhor que Portugal. Relativamente à democratização a verdade inquestionável é que ela foi conseguida, não sem alguns percalços e entraves, nos anos de 74 e 75, pois os Capitães de Abril cumpriram o prometido e, no momento certo, retiraram-se para os quarteis e extinguiram, de livre vontade, a vigilância tutelar do Conselho da Revolução. Se, muitos dos recentes e atuais políticos trataram e tratam mal a democracia, anormalidade não é da responsabilidade dos Capitães de Abril. A democracia em Portugal foi-te legada, jovem estudante, por militares e políticos corajosos. Preserva-a, luta pela sua manutenção e fortalecimento. Não te ausentes dos teus deveres cívicos e não te esqueças que o direito de voto consciente é um destes deveres cívicos que não podes desprezar. O desenvolvimento de Portugal não está terminado, este Portugal teve e tem, como qualquer outro país, tempos de fartura e tempos de penúria. Muitos portugueses com dedicação, estudo, trabalho e interesse pela causa do bem comum e do progresso ajudaram a transformar, para muito melhor, este país. E tu que contributo positivo queres dar a Portugal? Há quarenta e dois anos atrás a percentagem de jovens sem direito à frequência ao ensino secundário, sem direito aos transportes escolares, sem direito a professores justos, compreensivos e humanos era de mais ou menos 80%. A Revolução do 25 de Abril de 74 mudou radicalmente esta realidade, ofereceu-te novas e boas oportunidades. Não desperdices esta oferta magnífica. Esforça-te no estudo, concentra-te na sala de aula, faz felizes os teus professores. Se estas forem as tuas escolhas estás a cumprir um Sonho de Abril.

Prof.José Paulino Castanheira

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