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DESAFIO 10
Por Biblioteca António Nobre (Administrador do Jornal), em 2014/03/11272 leram | 0 comentários | 83 gostam
DESAFIO: COMPREENSÃO DE TEXTO
Leia atentamente o Texto B, que abaixo se transcreve.
Texto B

Nada distingue hoje a burguesia do proletariado. Consomem as mesmas revistas do
coração, leem a mesma má literatura (que passa por literatura), veem a mesma televisão, comovem-se com as mesmas distrações. Uns são ricos, outros pobres.
A elite portuguesa nunca foi estelar, e entre a expulsão dos judeus e a perseguição aos jesuítas, dispersámos a inteligência e adotámos uma apatia interrompida por acasos históricos que geraram alguns estrangeirados ou exilados cultos permanentemente amargos e desesperados com a pátria (Eça, Sena) e alguns heróis isolados ou desconhecidos (Pessoa, O’Neill).
Em Memorial do Convento, Saramago dá-nos um retrato da estupidez dos reis mas
exalta romanticamente o povo. (…). A cultura de massas ganhou. No mundo pop, multimédia, inculto e narcisista, em que cada estúpido é o busto de si mesmo, a burguesia e o lúmpen distinguem-se na capacidade de fazer dinheiro. Acumular capital. O dinheiro, as discussões em volta do dinheiro acentuadas pela falta de dinheiro fizeram do proletariado (e desse híbrido chamado classe média) uma massa informe de consumidores que votam. E que consomem democracia, os direitos fundamentais, como consomem televisão, pela imagem. (…).
O jornalismo, aterrorizado com a ideia de que a cultura é pesada e de que o mundo tem de ser leve, nivelou a inteligência e a memória pelo mais baixo denominador comum,na esteira das televisões generalistas. Nasceu o avatar da cultura de massas que dá pelo nome de light culture em oposição à destrinça entre high e low. O artista trabalha para o «mercado», tal como o jornalista, sujeito ao rating das audiências e dos comentários on line.
A brigada iletrada, como lhe chama Martin Amis, venceu.Estão admirados? John Carlin, o sul-africano autor do livro que foi adaptado ao cinema por Clint Eastwood, «Invictus» conta que Nelson Mandela e os homens do ANC,
na prisão, discutiam acaloradamente, apaixonadamente, Shakespeare. Foram «Júlio
César» ou «Macbeth», «Hamlet» ou «Ricardo III» que os acompanharam. Não é um
preciosismo. A literatura, o poder das palavras para descrever e incluir o mundo num sistema coerente de pensamento é, como a filosofia e a história, tão importante como a física ou a álgebra. A grande mostra da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos é Shakespeare (no British Museum) e não o dono de supermercado ou futebolista. (…).
Portugal tem hoje uma pequeníssima elite que consome a cultura quase toda velha e sem sucessores. Não estamos sós. Por esse mundo fora, a arte tornou-se cópia e
reprodução (daí a predominância dos grandes copiadores de coisas, os chineses), tornou-se matéria, tornou-se consumo. Como bem disse Vargas Llosa, em vez de discutirmos ideias discutimos comida. A gastronomia é uma nova filosofia. Feran Adriá é o sucessor de Cervantes e de Ortega y Gasset.
~
                           Clara Ferreira Alves, Expresso, 21.07.2012


Para responder a cada item (1B. a 7B.), selecione a opção correta, de acordo com o sentido do texto.
Escreva, na folha de respostas, o número do item e a alínea que identifica a opção escolhida.

1B. O segundo parágrafo
(A) aponta Eça, Sena, Pessoa e O’Neill como casos que fogem à apatia cultural
portuguesa.
(B) refere que a dispersão da inteligência causou uma apatia literária.
(C) aponta Eça, Sena, Pessoa e O’Neill como exemplos da apatia cultural e dispersão da inteligência.

2B. No quinto parágrafo, a autora
(A) considera que os artistas trabalham melhor que os jornalistas em prol da cultura.
(B) julga desnecessária a diferenciação entre culturas «high» e «low».
(C) critica a promoção da cultura «light».

3B. A autora apresenta algumas figuras que se opõem à «brigada iletrada», nomeadamente
(A) os donos de supermercados e futebolistas.
(B) os atletas que participaram nos Jogos Olímpicos, na Grã-Bretanha.
(C) as personagens do filme «Invictus».

4B. No texto, a expressão «brigada iletrada» (linha 24) estabelece uma relação com os antecedentes
(A) estrangeirados e exilados cultos.
(B) artista (s) e jornalista (s).
(C) proletariado e artistas.

5B. As orações «Uns são ricos, outros pobres.» (linha 3), mantêm entre si uma relação de
(A) adição.
(B) explicação.
(C) consequência.

6B. A expressão «(…) o avatar da cultura de massas» (linha 20) assume a função sintática de
(A) complemento direto.
(B) predicativo do sujeito.
(C) sujeito.

7B. A repetição da forma verbal «consomem» (linha 16) contribui para a coesão
(A) interfrásica.
(B) textual.
(C) lexical.

SOLUÇÕES: 1B. (A) 2B. (C) 3B. (C) 4B. (B) 5B. (A) 6B. (C) 7B. (C)


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