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Visita ao Museu Nacional da Imprensa
Por Biblioteca António Nobre (Administrador do Jornal), em 2016/02/16344 leram | 1 comentários | 90 gostam
No âmbito da disciplina de Área de Integração, o 12º F aprofundou o tema " De Alexandria à atualidade", numa visita de estudo, a um museu do Porto, que se destaca pelo seu dinamismo. Eis o testemunho da Maizinha, do Luís e da Paula.

No passado dia 27 de janeiro, pelas 15 horas, realizámos uma visita de estudo ao Museu Nacional da Imprensa, dirigida aos alunos do Curso de Técnico Auxiliar de Saúde, da turma F, do 12ºano, acompanhados pelas professoras Emília Silva (Área de Integração) e Maria da Graça Chaves (Higiene e Segurança nos Cuidados Gerais).
Esta atividade teve como objetivos conhecer as diferentes técnicas e instrumentos de impressão e aprofundar os conhecimentos lecionados no Tema-problema “De Alexandria à Era Digital”, módulo 5, do programa da disciplina de Área de Integração.
Para além de visitarmos o Museu, fomos convidados para assistir à apresentação de um livro, cujo nome é “Poemas de Shoá” da autora Ana Paula Mabrouk, e a uma peça de teatro, intitulada “Com as nossas mãos”, encenada pelos alunos da Escola Secundária Carlos Amarante de Braga. Estas atividades foram realizadas no Museu, na comemoração do 71º aniversário da libertação de Auschwitz.

Quando chegamos ao Museu, fomos recebidos pela Dra. Vânia Meleiro, responsável pelo serviço educativo, que nos explicou a evolução da imprensa, desde Gutenberg até à atualidade.
No átrio principal do Museu encontrava-se uma exposição permanente, intitulada “Memórias Vivas da Imprensa”, onde foi possível realizar um percurso histórico pelos equipamentos e peças que se encontram, muitos deles, prontos a serem utilizados e manuseados e que constituem, por isso, verdadeiras memórias vivas da imprensa, sendo algumas delas autênticas relíquias da indústria gráfica.
Ao longo da visita, observamos as máquinas de imprensa e os tipos de carateres tipográficos utilizados no século XV, num total de cerca de 160 miniaturas tipográficas produzidas em chumbo, com vários tamanhos e com diferentes tipos de letras.
É bom relembrar que todo este desenvolvimento da imprensa deve-se, sobretudo, à revolução industrial, que ocorreu no século XVIII. Foi a partir deste período que grandes máquinas foram criadas para facilitar a impressão de grandes livros. Contudo, este progresso também originou uma grande crise social na indústria copista, isto é, muita da mão-de-obra foi substituída pelas máquinas.
Em relação à história da imprensa, embora todos estes equipamentos tivessem sido produzidos fora de Portugal, o nosso país também os utilizou na impressão de diversos livros, porém muito mais tarde daquilo que se desejava, pois o nosso país deu o benefício da dúvida sobre a funcionalidade das máquinas, além do preço elevado das mesmas.
Relativamente à parte prática, foi possível fazer a impressão da imagem de Gutenberg utilizando duas máquinas: uma caracterizada pela pressão que exercia sobre o papel através de uma superfície plana e com uma complexidade mais elevada, comparada com a segunda, que, para além de recorrer também à pressão, utilizava-se um cilindro para registar a informação desejada no papel.
Terminada a visita à exposição permanente, comparecemos na apresentação e lançamento do livro “Poemas de Shoá”, escrito por Ana Paula Mabrouk. No prefácio deste livro, pode ler-se “O caminho para Auschwitz foi construído pelo ódio mas foi pavimentado pela indiferença”, afirmado por Franklin Littell. Dentro dele, existem relatos da extrema violência humana a que estiveram sujeitos milhares de judeus no campo de concentração de Auschwitz, e para que tal não volte a acontecer, diz a autora “… para que a memória se perpetue e o sofrimento de tantos milhões de vítimas não tenha sido em vão.”.
Por fim, assistimos a uma peça de teatro de Maira Ribeiro, jornalista, encenadora e professora de teatro, com a participação dos alunos da Escola Secundária Carlos Amarante, de Braga, que nos honraram com o belíssimo espetáculo “Com as nossas mãos”. Esta peça de teatro foi inspirada na obra “As mãos de Abraão Zacut” de Luís Sttau Monteiro e com textos de Manuel Alegre, Wislawa Szymborska e Bertolt Brecht.
Esta apresentação testemunhou os atos de violência e as incessantes humilhações contra pessoas no campo de concentração de Auschwitz. A oficina de Teatro da Escola Secundária Carlos Amarante – OutrArte, trouxe ao palco a celebração deste capítulo horrendo da humanidade, que retirou a vida a mais de 1,3 milhões de pessoas, a maioria de judeus, polacos, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos e prisioneiros de outras etnias, para que seja visto somente nos palcos, lido nos livros, mas que nunca volte a acontecer.

Esta atividade constituiu um contributo muito importante para o enriquecimento cultural dos alunos e um espaço complementar de aprendizagens, em contexto não-formal.
Foi deveras interessante e extremamente gratificante poder observar nas nossas mãos todo o progresso da imprensa. É inimaginável pensar no rigor e critérios de como os carateres estavam organizados e como estes foram criados e bem elaborados. Além disso, é estranho pensar como uma simples impressora, utilizada atualmente, foi elaborada e teve como base grandes máquinas.
Relativamente à segunda parte da visita (a apresentação do livro e a peça de teatro) foi relembrado as atrocidades nazistas, o sofrimento dos prisioneiros no campo de extermínio de Auschwitz, mortos pela fome, doenças e maus tratos. Foram partilhados momentos de elevada carga emocional, pois é surpreendente a ousadia do ser humano em causar dor ao próximo. Dessa memória cresce o dever de confrontar, hoje, todas as formas de violência e racismo.

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Comentários
Por Biblioteca António Nobre (Administrador do Jornal), em 2016/02/16
Eis o comentário elogioso do museu aos nossos alunos:
"Muito obrigada pela v/ participação nas actividades de comemoração do Aniversário da Libertação de Auschwitz.Foi muito gratificante ver a adesão,o interesse e o empenho dos alunos."
 

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