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Jornal da Biblioteca Escolar Carlos Teixeira
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CONCURSO «Um conto para um direito»
Por Maria Helena Leitão (Administrador do Jornal), em 2015/01/27645 leram | 0 comentários | 317 gostam
Este concurso já tem vencedores. Foram premiados os alunos Gonçalo Tomás Batista de Sousa do 6ºB com o conto «Dr. Xang», Joana Rodrigues e Matilde Costa do 5ºF com o conto «Todos iguais».
Podes lê-los neste artigo.
Dr. Xang

Era uma vez um menino nascido no sopé de uma montanha perdida algures na China, chamado Xang. Nessa montanha existia uma pequenina aldeia, onde o céu era cinzento, as nuvens quase negras e o imenso silêncio só era interrompido pelo soprar de um vento gélido. Ao primeiro sinal deste vento as pessoas da aldeia, antecipando um grande temporal, corriam apressadamente, como coelhos, para as suas “tocas”.
Xang era pequeno, magro, tinha olhos pontiagudos e verdes, cabelo preto, pele amarelada e pernas curtas. Devido ao seu aspeto franzino mas simpático, todos na aldeia se encantavam com ele. Ele vivia com os pais e não tinha irmãos. Os seus pais passavam muitas dificuldades económicas, o que os levou a mudar de país. Aos três anos de idade, Xang rumou com a família para Portugal, pensado ser a melhor solução para os seus problemas. Os habitantes da aldeia, ao saberem desta notícia, ficaram desolados, porque Xang era o único menino que lá habitava.
Mal chegou a Portugal, Xang mesmo pequenino, sentiu que a sua vida ia mudar completamente. Duas semanas depois, foi para a creche, onde permaneceu até aos 6 anos. Desde logo, percebeu que os meninos eram muito diferentes dele e por outro lado estes também o viam de uma forma diferente.
Xang, como os seus pais, aprendeu a língua portuguesa.
Ao atingir os dez anos, os problemas do Xang começaram a surgir. Os seus colegas, por ele ser diferente, provocavam-no insistentemente. Passaram dias e meses e eles não paravam, dizendo: “abre os olhos”, “és um chinês”, “és amarelo”, “não és igual a nós, vai para longe e nunca mais voltes…”
Como ele era muito tímido e não queria prejudicar ninguém jamais se queixou e refugiava-se nos estudos. Ao longo do seu percurso académico, Xang, ganhou um inimigo, o Manel. Este andava sempre atrás dele para o humilhar, com insultos e provocações. Contudo, Xang mostrava-se forte e indiferente, mas no fundo o seu coração sentia-se triste e magoado. Estas humilhações, cada vez lhe davam mais força para estudar e quando terminou o décimo segundo ano entrou em medicina. O Manel, nunca se deu muito bem com os estudos e foi trabalhar para um restaurante, perto da faculdade onde Xang estudava. De vez em quando, cruzavam-se na rua e continuava a mesma “história” de sempre.
Os anos foram passando, Xang foi trabalhar para um hospital na cidade. Certo dia, Manel teve um grave acidente de mota, que o levou a ser operado de urgência. Xang ficou encarregue de cuidar dele. Manel ao ver que era Xang que o ia operar pensou que este se iria vingar por todo o mal que lhe causou, durante toda a vida. Contudo, quando Manel acordou, percebeu que Xang, não só, lhe tinha salvado a vida, como permanecia calmo e sereno ao seu lado. Neste momento, Manel arrependido agradeceu-lhe do fundo do coração e demonstrou gratidão para sempre. Xang respondeu com um simpático e simples sorriso.
A discriminação nunca foi, nem nunca será um direito.
Não discriminação. (Declaração Universal dos Direitos Humanos, artigo 2º)
 
Gonçalo Tomás Batista de Sousa, 6ºB



Todos iguais

Numa bela manhã de inverno, uma senhora toda empinada com o seu cabelo loiro e roupa fina, deslocou-se até ao aeroporto mais perto da sua localidade.
Dirigiu-se à bilheteira passando à frente de todos.
- Meu pobre senhor, desejo um bilhete de avião para o Brasil, voo 312, 1ª classe - disse ela mostrando arrogância.
- Desculpe mas não pode passar à frente destas pessoas, que já cá estão há mais tempo do que você. Minha senhora, neste mundo somos todos iguais e além disso…
- Mas por que raio é que eu, Mademoiselle Dupont, tenho que ouvir lições de moral de um pobre empregado – disse ela, interrompendo.
- Mesmo assim não há bilhetes para o voo 312, Brasil, 1ª classe. Os bilhetes estão todos esgotados, só tenho bilhetes para a 2ª classe.
- Eu não viajo em voos de 2ª classe, exijo esse bilhete agora se não irei processá-los.
- Quer viajar ou não quer viajar? – perguntou o empregado já enervado com a sua arrogância.
- Mas que raio de pergunta é essa, claro que quero!
Acabando assim a conversa, Mademoiselle Dupont, derrotada pelo seu próprio preconceito, acabou por comprar o bilhete para 2ª classe.
Dirigiu-se para o parque de estacionamento ao encontro do seu carro.
No dia seguinte, acordou na sua bela mansão, com os raios de sol atingindo a sua janela. Saiu de casa dirigindo–se ao aeroporto pois, daí a meia hora, levantava o seu avião.
Já no avião, Mademoiselle Dupont, sentou-se. Mais tarde, um senhor de outra nacionalidade sentou-se à sua beira.
  Infelizmente, Mademoiselle Dupont era uma pessoa extremamente racista.
Chamou uma assistente de bordo e perguntou:
- Minha senhora, será que me pode de trocar de lugar?
- Mas por quê? Está de alguma forma incomodada?
Mademoiselle Dupont ficando envergonhada inventou a seguinte desculpa:
- Não, não, é este banco que está um pouco sujo!
- Com certeza!
Mademoiselle Dupont mudou de lugar para a beira de um senhor cuja cor de pele era diferente da sua. Não lhe agradando o companheiro escolhido, chamou de novo a assistente de bordo.
- Minha senhora… pode trocar- me de lugar?
- Desculpe, minha senhora, mas já estou farta do seu racismo, neste mundo somos todos iguais e, sim, vou mudar de lugar mas é o seu companheiro pois ele não quer estar à beira de pessoas racistas.
A partir desse dia, Mademoiselle Dupont aprendeu uma grande lição:
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de género, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento.
Tal como Nelson Mandela disse:“ Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, ou de suas origens, ou de sua religião. As pessoas são ensinadas a odiar, e se são ensinadas assim, elas podem aprender a amar, porque o amor chega mais naturalmente ao coração do homem que o seu oposto.”

                                     Joana Rodrigues e Matilde Costa - 5ºF


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