Jornal do AERSI
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Sistema Educativo Finlandês e o Paradoxo Português
Por Ana Galvão (Professora), em 2019/10/2666 leram | 0 comentários | 8 gostam
Formação - "Structured Educational Visit to Schools / Institutes & Training Seminars in Finland" (6/10 - 12/10). Esta formação foi relevante em termos pessoais e profissionais? Será impactante nas práticas pedagógicas?
Um dos pontos-chave da formação na Finlândia incide na disseminação da experiência.«Disseminare» significa etimologicamente espalhar sementes, o que à partida obstaculiza seriamente o trabalho, pela ambição do pressuposto. O que é que causou mais impacto nesta formação na Finlândia? Nada e tudo. Por outras palavras, e centrando-nos apenas no sistema educativo, constata-se o que é um dado adquirido - o sistema educativo é a base estruturante da sociedade e é eficiente. Como foi referido por um dos diretores das escolas, no discurso de apresentação, em todas as forças políticas, desde os setores mais conservadores, até aos mais progressistas há uma ideia consensual - o sistema de ensino deve ser público, igual para todos e gratuito. Os tempos letivos têm a duração de 45m e as aulas terminam à 1 hora. As crianças são encorajadas desde muito cedo a ser autónomas (é possível uma criança de 6 anos ir para a escola sozinha, com autorização parental). As aulas tendem a ser mais práticas (project-based learning). Os professores são uma classe extremamente valorizada, não há inspetores desde os anos 70 e não há rankings. Não é estimulada a competitividade, os alunos são educados para servir a sociedade da melhor forma. Por isso, a conceção da avaliação é diferente, destina-se a fomentar as aprendizagens e não os rankings. Os níveis não são exibidos, os resultados são enviados via mail aos pais. Há reuniões professores/encarregados de educação de forma agendada, em momentos de transmissão de informações. A escolaridade obrigatória é até aos 16 anos (discute-se neste momento o seu prolongamento) e há um exame (o único) obrigatório no final do ensino secundário. As escolas têm autonomia curricular, mas existe um curriculum nacional nuclear. Claro que há trabalhos de casa (com base na capacidade da criança), preocupação com a inclusão, professores que trabalham com alunos com necessidades educativas especiais. Outro aspeto interessante, mas não exclusivo deste país, é a conceção do espaço físico - as escolas são edifícios amplos, sem gradeamento ou muros à volta.
Haverá algumas semelhanças com o sistema educativo nacional? Possivelmente...mas é mais o que nos separa do que o que nos aproxima. Não me parece que haja uma burocracia labiríntica e redundante, ou decretos-leis, uns atrás de outros, com novas diretivas, alguns mais não sendo que meros sucedâneos, sob a capa de novos paradigmas, um fenómeno de epigonia muito comum entre nós, qual surto endémico. Áreas curriculares que são introduzidas e desaparecem subitamente, cujo único rasto é a pegada ecológica.
Somos o país da Europa onde as aulas terminam mais tarde (sem que isso se traduza em melhores aprendizagens). Tal facto poderá ter a ver com outro meteorológico - é o país com mais horas de luz durante o dia. Será que esta luminosidade natural não torna diáfanas outras realidades? Entretanto, as estatísticas de professores insultados e agredidos aumentam...

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