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Um dia histórico na vida de luta das mulheres
Por Giovanna Almeida (Aluna, 4asegmint), em 2017/03/10470 leram | 0 comentários | 37 gostam
No último 8 de março, mulheres do Rio de Janeiro pararam e ocuparam as ruas do centro da cidade em adesão à Greve Internacional de Mulheres, cujo o lema foi: "NEM UMA A MENOS! CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA E TRABALHISTA!”
A cada 2 minutos, 5 mulheres sofrem espancamentos no Brasil.
São 179 relatos de agressões por dia.
Um estupro a cada 11 minutos.
13 feminicídios no dia.
O aborto clandestino é a 5ª causa de morte materna entre as brasileiras.
A cada 10 desempregados, 7 são mulheres.
Trabalham 3 vezes mais que os homens nas tarefas domésticas.
Salários 30% menores.
São apenas 9 em cada 100 deputados.

E as mulheres pararam! Pararam pois essa realidade assustadora não parou nem no dia destinado a elas. Pararam para denunciar o machismo, a desigualdade de gênero e a perda de direitos com a reforma da previdência. Pararam e construíram um Dia Internacional de luta da Mulher histórico em 2017.

O sentimento de união das mulheres começou com o seguinte questionamento da escritora polonesa Klementyna Suchanow: “Por que estamos caminhando separadas se seria melhor nos juntar?” A pergunta foi feita em outubro do ano passado ao saber que o movimento argentino “Ni Una Menos” convocou uma greve contra mais um feminicídio no país. A partir daí, começaria a se moldar o “8M”, uma greve internacional de mulheres que no Brasil foi unificada sob o nome de “Parada Brasileira de Mulheres”, contando com adesão de mais de 80 cidades e 24 capitais.

Rio de Janeiro

Com o lema "Nem uma a Menos! Contra a Reforma da Previdência e Trabalhista”, o centro da cidade do rio de janeiro foi palco de uma manifestação cujo o grito principal foi contra a proposta de reforma do governo Temer (PEC 287), que pretende igualar o tempo de contribuição de homens e mulheres, desconsiderando as jornadas de trabalho domésticas não remuneradas, realizadas pelas mulheres, e as desigualdades de gênero no ambiente de trabalho.

Chegando à Candelária, já era possível perceber a beleza e a força da organização do movimento de mulheres. Estudantes seguravam a faixa da Greve Internacional, mães levaram seus filhos e filhas, organizações de indígenas e quilombolas fizeram grandes falas e apresentação de danças, coletivos faziam performances de rua, baterias puxavam as palavras de ordem e fotógrafas registraram centenas de pessoas dispostas a enfrentar e lutar contra o patriarcado e todas as opressões.

Várias pautas apareceram. Contra o machismo e a violência, a favor da legalização do aborto, contra a cultura do estupro, por mais direitos trabalhistas, denúncia do “pacote de maldades do governador Pezão” (PMDB), oposição à misoginia, lesbofobia, bifobia, transfobia, racismo e desigualdades sociais, além do “FORA TEMER”. A cada cartaz e palavra de ordem que tomava espaço na Av. Rio Branco, crescia a esperança na luta feminista.

Após a leitura do manifesto da greve, o ato teve fim, já na Praça XV.

Campus Maria da Graça

A proposta da Greve, de que as mulheres parassem, pelo menos por alguns minutos suas tarefas, como um manifesto contra a desigualdade de gênero, também foi aderida no CEFET- Maria da Graça. Organizada por servidoras da articulação pedagógica e biblioteca ocorreu, na escola, de 12:30h às 13:30h, uma roda de conversa sobre desigualdade de gênero e a luta das mulheres, atividade que contou com a exibição de um vídeo e sorteio de agendas.



Esse 8 de março chegou no sentido de internacionalizar a luta das mulheres contra o avanço de um conservadorismo já internacional. No Brasil, serviu para ajudar na articulação do movimento feminista em diferentes cidades. A articulação internacional representa um novo passo para o feminismo e para além disso, é preciso que o movimento se relacione com as questões de classe, raça e sexualidade, dando espaço para todas as mulheres com suas diferentes especificidades.

A greve foi um importante posicionamento. Ainda assim, a perspectiva é de que em vez de um “dia sem mulheres”, cheguemos a dias sem opressões e agressões contra elas. O sonho é um tempo no qual a sociedade não nos mate, que não tenhamos que ser tão fortes. Enquanto isso, seguimos resistindo! Juntas na luta em defesa dos nossos direitos e por, nas palavras de Rosa Luxemburgo, " um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres."


Referencia dos dados:
Mapas da violência contra a mulher. Fonte: Agência Patrícia Galvão.
Pesquisa Violência contra a mulher e desigualdade de gênero no Brasil.

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