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Jornal da Escola Básica Luís António Verney
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Valoriza-te e disciplina-te!
Por Jornal Lav (Professor), em 2017/03/07170 leram | 0 comentários | 41 gostam
Os castigos são recursos importantes e úteis na relação pais-filhos, mas não devem nunca deixar de transparecer à criança o afeto que os pais sentem por ela.
Quando o castigo é necessário... muitos pais recorrem à punição física, ao “sermão”, à crítica e às expressões de desaprovação quando as suas crianças demonstram comportamentos desadequados, agressivos ou de desobediência. No entanto, estes poderão não ser os métodos mais adequados para modificar o comportamento da criança, uma vez que criticar, rotular, culpar, bater, gritar, ou outras atitudes deste tipo, enquanto a criança exterioriza o comportamento em causa, poderão constituir-se como formas de atenção parental que reforçam esse comportamento. Assim, muito provavelmente, os pais receberão como resposta da criança atitudes também elas de gritar, criticar,...
Os castigos são recursos importantes e úteis na relação pais-filhos, mas não devem nunca deixar de transparecer à criança o afeto que os pais sentem por ela.
Discutem-se as seguintes questões acerca dos castigos com os pais e a comunidade educativa:
- não ameaçar várias vezes que se vai atribuir o castigo, e depois não o fazer;
- não impor castigos difíceis de concretizar na prática ou pouco viáveis no dia-a-dia familiar (exemplo: ficar fechado no quarto todos os dias, durante um mês, depois de chegar da escola);
- ignorar a criança enquanto ela se encontra de castigo;
- preparar-se para o facto de a criança tentar testar o castigo;
- apoiar o uso do castigo pelo outro progenitor;
- limitar cuidadosamente o número de comportamentos relativamente aos quais é utilizado aquele castigo;
- utilizar abordagens não violentas, como por exemplo a perda de determinados privilégios;
- em certas situações, poderá fazer sentido levar a criança a experienciar as consequências do seu comportamento (exemplo: limpar o que sujou).
Também na exploração destas questões será pertinente o apelo às experiências pessoais dos pais.
Para concluir a temática em causa, reconhece-se que na relação educativa com a criança surgem, de facto, situações com as quais é muito difícil lidar, e o estabelecimento de limites pode ser uma tarefa muito árdua.
Ainda assim, devemos ter consciência de que há determinadas coisas que não devemos dizer à criança, e também devemos evitar certas atitudes, visto que não nos serão úteis para resolver as situações da maneira mais positiva, além de que podem ter consequências muito negativas no desenvolvimento emocional dos seres mais jovens.
Tendo em consideração os conteúdos abordados até ao momento no presente artigo, e com o objetivo de sistematizar estas questões, apresentam-se alguns exemplos de verbalizações usadas com frequência na relação pais-filhos, quando surgem situações que poderão não ser fáceis de resolver, e analisa-se a intencionalidade por detrás de tais verbalizações, bem como possíveis implicações para o desenvolvimento emocional da criança.
 Fazes-me perder a cabeça! Já estou a ficar doente por tua casa!
 Vou contar aos teus amigos todos que ainda fazes xixi na cama! Pareces um bebé!
 És tão espertinho!!!
 És mesmo burro! Nunca vais dar gente!
 Ainda és pior que o teu irmão!!!
 Voltas a bater-lhe e eu mato-te!
 Não gosto mais de ti!
 Se não comeres a sopa toda, vem o homem do saco e leva-te...
 Se não te portas bem, chamo o polícia e ele leva-te para a prisão!
Superproteger a criança, ou tentar compensá-la com bens materiais, também constituem atitudes a evitar por parte dos pais, no sentido em que não ajudam a criança a perceber os limites e regras da relação educativa, os quais, conforme já se discutiu no início do presente artigo, são tão necessários para que a criança se sinta estável e segura.
Conclui-se a temática com a necessidade de se refletir com os pais e a restante comunidade educativa que muito frequentemente os conflitos na família surgem a partir de situações que, quando analisadas com atenção e alguns dias depois de terem acontecido, parecem ter perdido o valor que, no momento, lhes tínhamos atribuído, contudo, não esqueçamos o papel importante da nossa escola (GAT) nesta temática que pretende ter uma abordagem individual/em grupo, formal e/ou informal, com o objetivo de estabelecer uma relação de proximidade empática com os alunos na sequência de comportamentos desajustados, de indisciplina ou de conflito, assim, encontram-se disponíveis docentes/técnicos que acolhem os alunos, registam a ocorrência e dialogam com os discentes com o intuito de refletirem sobre os motivos que desencadearam o comportamento em causa.
Os docentes/técnicos em permanência ajudam o aluno a fazer uma reflexão sobre o ato que cometeu, ao mesmo tempo que o sensibilizam a modificar a atitude comportamental desajustada, no sentido de um reconhecimento e aquisição de comportamentos, atitudes e princípios cívicos que o levem a saber reconhecer o espaço escola/sala de aula como lugar de trabalho com normas próprias de comportamento a serem seguidas.
Esta ação permitirá organizar uma base de dados com o intuito de constatar e de solucionar os problemas disciplinares promovendo a sensibilização dos alunos e suas famílias para a importância da escola na construção de um projeto de vida.

JOÃO CASEIRO – Sociólogo / Professor no Agrupamento de Escolas Luís António Verney em Lisboa

NOTA: para a terminologia ver
Fachada, Maria Odete (2003). Psicologia das relações interpessoais. Chelas: Rumo


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