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Jornal da Escola Básica Luís António Verney
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A ESCOLA SOMOS NÓS…DE TODOS E PARA TODOS!!!!!
Por Jornal Lav (Professor), em 2016/11/22435 leram | 0 comentários | 124 gostam
Esta temática pretende envolver toda a comunidade escolar num projeto educativo comum sobre os problemas e constrangimentos da escola atual e o papel de cada um de nós na procura de soluções.
Este tema pretende promover a participação ativa dos pais e encarregados de educação na vida escolar dos alunos desenvolvendo relações de cooperação entre os vários intervenientes da comunidade educativa criando condições psico-socio-emocionais que contribuam para a consolidação do sucesso escolar do/a aluno/a tentando prevenir situações de risco e reforçar os fatores sociais de proteção fomentando a inter-relação entre os diversos intervenientes: família/ escola/ comunidade como agentes participantes no processo de desenvolvimento socioeducativo. Esta temática visa o desenvolvimento de competências pessoais e sociais do aluno(a) e contribuir para a reflexão e concretização do projeto de vida do aluno(a). Contudo, importa aqui realçar o papel da comunicação pais/filhos. Sublinha-se a ideia de que a comunicação engloba não só o que dizemos, mas também a forma como o dizemos. Assim, o tom de voz com que falamos, a expressão da nossa face, a postura do nosso corpo, também devem ser considerados como formas de comunicação. Face a uma situação hipotética passível de ocorrer no dia-a-dia da família, solicita-se aos pais e encarregados de educação que façam o seguinte exercício mental de exemplos de atitudes de comunicação representativas de cada um dos estilos educativos. A situação apresentada é: O seu filho quer ver o jogo de futebol que vai passar na TV hoje à noite. Porém, ainda não acabou os trabalhos de casa. Quais são as reações possíveis que pode ter como pai/mãe?
► Estilo “Deixa fazer tudo” (Permissivo):
O filho faz o pedido, e vendo que o pai/a mãe coloca obstáculos, começa a perder o controlo e a falar alto, exigindo que lhe satisfaçam esse mesmo pedido.
O pai/a mãe acaba por dizer: «Pronto, queres ver o jogo, vês, não é preciso berrar...».
O pai/a mãe revela: postura de passividade; tom de voz nervoso; expressão facial tensa.
A criança faz exigências, e o pai/a mãe acabam por lhe fazer a vontade, para não haver mais problemas, isto é, para evitar o conflito.
► Estilo “Autoritário”:
O filho faz o pedido e a resposta que obtém é: «Agora vais é acabar os deveres!
Não há futebol para ninguém! E nem me respondas!».
O pai/ a mãe revela: postura agressiva; tom de voz alterado, ríspido e seco; expressão facial agressiva e tensa.
O pai/a mãe impõe regras, de forma muito severa, sem tentar perceber a opinião da criança, e sem lhe permitir qualquer liberdade de mostrar o que sente.
► Estilo “Democrata” (Assertivo):
O filho faz o pedido, insiste quando verifica que lhe estão a colocar obstáculos, e o pai/a mãe diz-lhe: «Então hoje queres ver o jogo de futebol que vai dar na televisão? Mas então vamos fazer um acordo: até à hora de o jogo começar, achas que consegues acabar os deveres? Que te parece?»
O pai/ a mãe revela: postura calma; tom de voz e expressão facial revelam segurança, serenidade e confiança.
O pai/a mãe tenta chegar a um acordo ou uma combinação com a criança, que permita satisfazer ambas as partes.
Torna-se importante assim refletir sobre as possíveis consequências de cada estilo educativo para o desenvolvimento das crianças:
► Estilo “Deixa fazer tudo” (Permissivo):
- a criança não sente a existência de regras/ de limites, nem de suporte afetivo por parte do pai/ da mãe, e assim poderá sentir-se pouco confiante em si própria;
- pode tornar-se uma criança com dificuldade em controlar os seus impulsos, o que pode por sua vez acarretar dificuldades na relação com os outros (crianças ou adultos).
► Estilo “Autoritário”:
- a criança torna-se passiva e conformista, ou então demasiado revoltada;
- não sente suporte afetivo;
- pode sentir medo do pai/da mãe;
- não sente confiança em si própria;
- não aprende a pensar por si própria e a tomar decisões;
- torna-se desconfiada dos outros, solitária;
- pode desenvolver problemas de comportamento.
► Estilo “Democrata” (Assertivo):
- a criança sente que existem regras e suporte afetivo;
- sente que as suas opiniões são importantes e torna-se autoconfiante e segura;
- aprende a ser independente e responsável;
- sabe relacionar-se com os outros.
Salienta-se que existe em nós alternância de estilos educativos, mas, por outro lado, todos temos um estilo predominante.(1)
Pede-se então que os pais e mães identifiquem qual o seu estilo, pensando sobretudo nos momentos em que há conflito, visto que estes são os que melhor espelham o estilo educativo pessoal.

JOÃO CASEIRO – Sociólogo / Professor no Agrupamento de Escolas Luís António Verney em Lisboa


(1)Fachada, Maria Odete (2003). Psicologia das relações interpessoais. Lisboa : Rumo.


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