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Jornal da Escola Básica 2, 3 D. Pedro Iv
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Entrevista à responsável pelo clube de Matemática
Por Biblioteca Escolar D. Pedro Iv (Professora), em 2016/01/18162 leram | 0 comentários | 20 gostam
A Profª Ana Sofia Rézio é a responsácel pelo conceito e pela criação do Clube "Real Math" aberto aos alunos do 3º ciclo.
Ana Sofia Rézio é professora de Matemática na escola EB 2,3 D. Pedro IV. Ao ver que
certos alunos precisavam de ajuda e que outros se interessavam muito por Matemática,
decidiu criar o clube “Real Math”.

A - Há quantos anos dá aulas e como acha que se desenvolveu a sua relação com os
alunos?

Prof.ª Ana Sofia Rézio (A.S.R.): Dou aulas há 18 anos. Como é que se desenvolveu? Bem, foi-se
desenvolvendo cada vez melhor e fui aprendendo a relacionar-me cada vez melhor, não
só a nível pedagógico, como depois a nível científico. O domínio sobre as matérias
aumenta e, portanto, isso faz com que uma pessoa se consiga expor de uma maneira
mais clara.

A - Tem orgulho na sua profissão?

A.S.R.: Tenho e não tenho. Só não tenho completamente, porque acho que sou muito
mal paga, pois hoje em dia a carreira do professor foi muito desvalorizada. Não é nada que se previsse que fosse acontecer aqui há uns anos atrás, mas que realmente
aconteceu. Mas, à parte esse fator, eu tenho orgulho na minha profissão, porque
contribuo para o desenvolvimento dos adolescentes, neste caso. Portanto, acho que se
desempenhar bem as minhas funções, isso vai contribuir para o desenvolvimento
intelectual e emocional dos meus alunos.

A - Qual o objetivo de ter fundado o clube “Real Math”?

A.S.R.: Principalmente, para difundir o gosto pela Matemática, porque eu sou uma apaixonada por matemática e, portanto, queria contagiar um bocadinho as pessoas por
esse meu gosto. Até porque é uma disciplina que, normalmente, não é querida pela
maioria, sendo esse o objetivo primordial.

A - Quais as suas expectativas de adesão dos alunos?

A.S.R.: Eu não tinha previsto ainda sobre qual é que seria a adesão, porque a experiência é nova. Mas as minhas expectativas, em qualquer projeto que me envolva,
nunca são baixas, porque eu, por defeito, tenho sempre as expectativas altas e, depois, faço por as alcançar. Portanto, agora posso dizer que está a correr bem e que espero corresponder às expectativas iniciais que eu tinha traçado.

A - Qual é a ajuda que o clube proporciona aos alunos?

A.S.R.: Julgo que são ajudas de diferentes naturezas. São ajudas que têm a ver com,
por exemplo, a natureza lúdica que permite, se calhar, descontrair quem procura o
clube mais com a intenção de utilizar os jogos. São ajudas no sentido de levar a
compreender melhor o real, porque, por exemplo, numa atividade de construção da bola
de futebol, dá-se a perspetiva às pessoas de onde é que estava a matemática nessa
situação. Depois, por exemplo, com as Olimpíadas, é mais forte na parte cognitiva e
intelectual. Como tal, acho que abarca diferentes naturezas.

A - A disciplina de Matemática não é a preferida de muitos alunos. Acha que este clube pode incentivar os alunos a gostar de Matemática?

A.S.R.: Pois, acho que sim, como já falámos há pouco. Até porque há jogos bastante
interessantes e, normalmente, os alunos com menos motivação cativam-se sobretudo
pelo lado lúdico. Só depois, aproveitamos para os ajudar a desenvolver a vertente
cognitiva.

A - De que maneira é que o clube relaciona a informática, a realidade e a matemática?

A.S.R.: Na medida em que a informática tem uma valência que é a valência da
informação e, portanto, nela podemos ir buscar informação importante para a
matemática, podendo funcionar como uma base de dados daquilo que nós pretendemos
consultar. Funciona também noutros aspetos como softwares de geometria dinâmica,
para vermos o modelo geométrico tridimensional, a planificar-se e a montar-se. Ajuda
então a fazer uma ligação entre a realidade e a matemática, como, por exemplo, no
caso da bola de futebol que referi há pouco.

A - Que tipo de projetos tenciona realizar no clube?

A.S.R.: No fundo, um pouco do que já falei há bocado: projetos de diferentes
naturezas, porque os gostos, as motivações e as expectativas dos alunos, sendo eles de vários anos de escolaridade e de várias turmas, são também diferentes. Portanto, aqui é possível encontrar tarefas de naturezas diferentes: de natureza lúdica, de natureza mais intelectual, de natureza mais estratégica, entre outros.

A - Porque é que o clube se destina apenas ao terceiro ciclo?

A.S.R.: Porque sendo eu a única professora a dinamizar o clube e estando eu a
trabalhar diretamente com o 3.º ciclo (eu não sou professora de 2.º ciclo), seria
complicado para mim, quando aqui tivesse vários alunos em simultâneo, de assistir a
todos. Seria difícil. Porém, pontualmente (e posso dizer que na próxima quinta-feira
vem cá uma turma de 5.º ano com a respetiva professora), havendo outra professora
aqui com uma turma, é possível fazer algo nessas circunstâncias. Se eu tivesse de assistir sozinha aos dois ciclos, seria muito difícil para mim. Para além do mais, eu preparei atividades a pensar apenas no 3.º ciclo.

A - Acha que o clube tem potencial para evoluir?

A.S.R.: Claro! Eu acho sempre, graças ao facto de as minhas expectativas serem
sempre elevadas. Portanto, eu acho que o clube tem potencial, porque acredito também
na capacidade e no interesse dos alunos. É óbvio que só no fim deste primeiro ano de
clube é que poderei fazer um balanço mais concreto de como é que ele decorreu a todos os níveis. E acho que, querendo, se consegue sempre que tudo se concretize. Portanto há sempre coisas diferentes pensadas para a evolução, tendo em conta, não só quais as atividades que foram mais ao encontro do gosto dos alunos, como as que foram menos. Isso permite também fazer o balanço, conceber ideias novas e projetos diferentes que se consigam dinamizar e possam ser pensados nesse sentido.

Ana Carolina Bernardo, Andreia Pinto; Mariana Martins; Mariana Martinho; Mariana Lopes - 8ºF


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