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Jornal do Agrupamento de Escolas Dr Flávio Gonçalv
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EDITORIAL DE NATAL
Por Dulce Marques (Professora), em 2014/12/09234 leram | 0 comentários | 99 gostam
Sendo os professores educadores, formadores, tendo como função preparar as novas gerações é de crer que todos os inícios de ano estes cheguem à escola com energias renovadas e cheios de esperança.
Acreditam que, pelo menos, alguns problemas do ano anterior se irão resolver, acreditam que melhores condições terão para trabalhar com os seus alunos.
Ano após ano, nada disto se tem verificado e os docentes, conscientes das suas responsabilidades perante os jovens, só com uma grande força de vontade têm encontrado, no mais profundo do seu íntimo, energias para continuar a passar para as crianças, com quem todos os dias trabalham, a esperança num amanhã melhor. Sabem o quanto seria dramático para os alunos deixarem de acreditar no mundo que os espera quando saírem dos portões da escola. No entanto, e em abono da verdade, os problemas dos últimos anos têm vindo a agudizar-se. Os auxiliares de ação educativa são cada vez menos – uns reformaram-se, outros pediram rescisão amigável do contrato, outros estão de baixa médica. Os concursos não abrem e a escola vive com os funcionários que (cada vez em maior número) são colocados através do centro de emprego. Destes uns têm perfil para as funções a desempenhar outros não, mas todos os anos, e por imperativo da lei, novos funcionários são colocados e têm de aprender as tarefas a realizar.
Este ano, e como é do conhecimento de todos, graves problemas estiveram ligados à colocação de professores. Isto levou a que, durante várias semanas, muitos alunos permanecessem sem aulas o que trouxe sérios prejuízos para todos e, sobretudo, para os alunos que no final do ano terão de realizar exames.
A situação do país e o agravamento socioeconómico têm trazido, e cada vez mais, para a escola alunos cheios de problemas. Logicamente que isto se faz sentir na sua forma de estar, na forma como se relacionam com os outros e, também, no seu aproveitamento.
Paralelamente a isto, as horas de que a escola dispõe para dar apoio a crianças com necessidades educativas especiais, assim como as verbas para as terapias têm diminuído.
Perante este quadro, como manter a chama da esperança? Como passá-la aos alunos se nós, professores, cada vez menos acreditamos nela?
Como nota positiva, no meio de tudo isto, registe-se a instalação dos balneários provisórios o que permitiu que a partir do mês de outubro as aulas de Educação Física passassem a decorrer com absoluta normalidade.
Que, e uma vez mais, a chama do Natal tenha a força suficiente para nos iluminar, nos aquecer e nos devolver um pouco da esperança perdida.

A Direção


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