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FESTIVAL DA CANÇÃO
Por Dulce Marques (Professora), em 2019/03/0741 leram | 0 comentários | 7 gostam
Já sou antiga. Sou do tempo em que o Festival da Canção fazia parar o país.
As famílias juntavam-se em frente à televisão para ouvir as canções, apreciar as toilettes dos concorrentes, homens e mulheres, e até dos apresentadores que surgiam vestidos a rigor.
Ainda me lembro de uns quantos festivais cujas canções ficaram na memória pelos belos poemas cheios de mensagem. Recordo a voz quente de Eduardo Nascimento com “E tudo o Vento Levou”, Maria Guinot e “Silêncio e Tanta Gente”, Carlos Mendes, Simone de Oliveira e Fernando Tordo, entre outros.
No passado sábado, sentei-me para ver o festival, mas a minha deceção foi enorme! Não se percebiam as letras das canções e, como tal, se tinham alguma mensagem, ela não chegava aos ouvintes, com exceção, a meu ver, da canção de NBC – “Igual a ti” - e do grupo Madrepaz – “Mundo a mudar”. A canção vencedora, “Telemóveis”, na voz de Conan Osíris era inaudível. Não se percebia nada do que o rapaz cantava! Depois o seu visual também não cativava, mas como é carnaval, foi a fantasia que conseguiu. Quanto aos apresentadores, também em nada se assemelhavam aos de outros tempos. Em minha opinião, só o Vasco Palmeirim se comportou melhorzinho porque as colegas não revelaram ter postura de palco. O trabalho destes três apresentadores deu a ideia que tudo é levado a brincar, tudo é light. Até as questões que eram colocadas aos autores das letras e músicas e aos intérpretes não tinham qualquer relevância; por outro lado, as respostas de alguns também eram de uma pobreza franciscana. Alguém reparou na resposta de Conan Osíris à questão a propósito do objeto que exibia na mão? Nem ele sabia o que aquilo era e, entre uma palavra monossilábica em português e outra em inglês, tentou dizer qualquer coisa.
Como é que uma canção, ou melhor, uma treta daquelas é a eleita? Creio que só pode ter sido escolhida pela geração a quem alguém, em tempos, chamou “rasca” e que não consegue fazer juízos de valor, nem criticar, nem argumentar.
Finalmente, lamento ter perdido umas quantas horas do meu sono para ver semelhante porcaria.

Marta Oliveira Santos

P.S. Deixo a letra da cantiga vencedora para apreciarem a sua profundidade

TELEMÓVEIS
Conan Osiris

Eu parti o telemóvel
A tentar ligar para o céu
Pa' saber se eu mato a saudade
Ou quem morre sou eu
E quem mata quem
Quem mata quem mata
Quem mata quem
Nem eu sei
Quando eu souber, eu não ligo a mais ninguém
E se a vida ligar
Se a vida mandar mensagem
Se ela não parar
E tu não tiveres coragem de atender
Tu já sabes o que é que vai acontecer
Eu vou descer a minha escada
Vou estragar o telemóvel
O telele
Eu vou partir o telemóvel
O teu e o meu
E eu vou estragar o telemóvel
Eu quero viver e escangalhar o telemóvel
E se eu partir o telemóvel
Eu só parto aquilo que é meu
Tou para…


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