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Jornal do Agrupamento de Escolas Dr Flávio Gonçalv
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APÓS 42 ANOS
Por Dulce Marques (Professora), em 2017/05/01139 leram | 0 comentários | 62 gostam
A nossa colega e colaboradora Marta Oliveira Santos enviou-nos este poema, assinalando desta forma mais um aniversário da Revolução de Abril.
Na ponta do fim do mundo
havia um país
onde a miséria se escutava
onde a fome reinava
onde a prostituição prosperava
onde a emigração sangrava
onde a guerra colonizava
onde o silêncio imperava.
Na ponta do fim do mundo
havia um país
mas em abril, na primavera,
cravos vermelhos floriram
nas chaimites e nas espingardas
rostos tristes sorriram
abraços de alegria se trocaram
e muitos de emoção choraram.
Quarenta e dois anos passados,
na ponta do fim do mundo
há um país
onde adormece a pálida primavera
onde empalidece o tom rubro do cravo
ou murcha ou de tristeza morre
onde se fecham janelas de tristeza
onde pululam crianças grávidas de fome
que na escola não aprendem
que o sorriso abandonou os seus olhos
onde bate às portas a miséria
onde pessoas dormem nos portais
onde os jovens sonham e partem
onde os velhos sós, com fome e frio,
a chegada da morte aguardam
onde a prostituição vai regressando…
Na ponta do fim do mundo
há um país
onde muito se tem feito
mas onde há muito por fazer…
É urgente impedir o regresso do medo
o regresso da cor cinzenta, do silêncio
É urgente não aprisionar a LIBERDADE!


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