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Jornal do Agrupamento de Escolas Dr Flávio Gonçalv
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FINALISTAS. QUE VIAGENS!
Por Dulce Marques (Professora), em 2017/04/21121 leram | 0 comentários | 43 gostam
As notícias que vieram a público sobre os jovens que foram expulsos de um hotel, em Espanha, deixaram-me perplexa.
Ouvi uma mãe (penso que ligada a uma Associação de Pais) afirmar que as notícias eram exageradas, de acordo com o que vira numa reportagem e atendendo à opinião do filho que tinha ido nessa viagem de finalistas. Depois dizia que era preciso tomar medidas (não referiu quais), que as Escolas e os Professores tinham um papel importante, que a Formação Cívica era uma disciplina que consciencializava para a cidadania, tendo deixado de fazer parte do currículo. Achei o cúmulo! Parece que a Escola é que tem culpa destes comportamentos impróprios.
Então aquela mãe achou exageradas as atitudes daqueles alunos? Não acha ser destruição, estrago, vandalismo até, meter um televisão na banheira, pichar as paredes do hotel, estragar um extintor, espalhar copos e mais copos sobre os móveis e despejar as bebidas sobre os móveis? Pergunto-me o que a dita senhora faria se o seu educando fizesse isto em casa…
A Educação aprende-se no seio familiar, não na Escola! Aqui apenas se poderão limar algumas arestas mas, na Escola, os Professores dão a instrução. Aliás, os Professores queixam-se da falta de regras e da não-aceitação das mesmas há muito (alguns pais também não as aceitam), tendo dificuldades em conseguir levar a bom porto o ensino/aprendizagem. Para além disso a falta de apoio e de consideração vigente para com a classe docente, os Professores, é tão elevada que aquilo que o sucesso educativo que os Professores conseguem alcançar com os seus alunos no meio de tanta dificuldade é fantástico. Os Professores são verdadeiros heróis no meio do caos.
Mas justificar o vandalismo daqueles jovens finalistas com a falta de Formação Cívica nas escolas é inadmissível, uma vez que os alunos em causa eram finalistas do ensino secundário e usufruíram dessas aulas, elas só deixaram há pouco de fazer parte do currículo.
Em minha opinião, a verdadeira razão destes desacatos, desta vergonha, deve-se ao facto de as Famílias (na sua generalidade) se demitirem de educar os filhos, deixando-os à rédea solta, dando-lhes dinheiro para a mão para gastarem à vontade e, finalmente, autorizando-os a ir numa viagem sem acompanhamento de adultos. Sim, porque os adultos que os acompanharam foram os responsáveis da organização deste tipo de viagens que não conhecem minimamente os jovens, sabendo só o número de inscrições que receberam. À agência de viagens só interessa o número de cabeças, o dinheiro, mais nada!
Compreendo que os Pais, pai e mãe, trabalham, não estando o tempo suficiente com os filhos. Contudo, as horas das refeições, os fins-de-semana, as férias são momentos óptimos para dialogar com os filhos, informar-se sobre a escola, conhecer os seus interesses, transmitir-lhes valores. Não permitam que se isolem tanto tempo em frente do computador ou telemóvel. Mas dêem o exemplo, não fazendo o mesmo! Quem sabe se esse isolamento, a solidão em que estes jovens vivem, apesar de se encontrarem no meio de tanta gente, não foi um dos motivos que despoletou aquele caos? De acordo com as estatísticas, os jovens passam 6 horas por dia à frente do computador e não estão a estudar, portanto, quando se vêem sem esse “brinquedo”, têm necessidade de arranjar outro e aí surgem os comportamentos reprováveis auxiliados pelo bar aberto deixado à disposição de tantos que, possivelmente, estarão habituados a beber sumos.
Penso que é necessário todos, a sociedade em geral (jovens, Pais, Professores, governantes) porem a mão na consciência e reflectir nas mudanças que urge fazer. É urgente criar modelos. Os jovens precisam de modelos, sendo os primeiros os Pais, não os jogadores de futebol! Eles precisam de saber como se comportar à mesa, entre outras pessoas, quando devem usar boné e quando o devem retirar, como se devem vestir para ir aqui ou ali. Mas os Pais devem ser os primeiros a dar esse exemplo, não passando o tempo com o telemóvel a ler ou enviar mensagens enquanto se almoça ou janta, ou a ir falar com o Diretor de Turma envergando calções e levando os óculos de sol no alto da cabeça! Os Professores também poderão servir de modelo pela forma como se dirigem aos alunos, pela forma como vestem, pela forma como exercem a sua autoridade sem ser autoritário. Finalmente, os governantes também precisam de cuidar mais da sua aparência, da sua forma de se apresentar no Parlamento e de ter cuidado no uso da palavra. Há tanto a fazer!!! Todavia, não acabem com estas viagens! Talvez as viagens de finalistas feitas sem agrupar tantas escolas corram melhor. Deixem os alunos conviver mas de forma saudável, permitindo que façam as viagens acompanhados por Professores que conhecem bem os alunos e até de alguns Pais.


Marta Oliveira Santos


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