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Agrupamento de Escolas de Santa Marta de Penaguião
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A lenda de São Martinho contada na EB1 de Fontes
Por Carlos Rodrigues (Administrador do Jornal), em 2017/11/0971 leram | 0 comentários | 16 gostam
No dia 24 de outubro, a Professora Bibliotecária, Filomena Nunes, e o Professor António Martins deslocaram-se à escola EB1 de Fontes para encantar os alunos com a bela lenda de São Martinho.
Ao volante de um automóvel quase clássico, mas resistente e confortável, a equipa da Biblioteca do Agrupamento de Santa Marta de Penaguião, liderada e bem conduzida pela sua professora coordenadora, Filomena Nunes, deslocou-se à EB 1 de Fontes, no dia 24 de outubro. A tarde, embriagada de luz e de cheiro a frutos maduros, estendia o seu manto quente por cima de montes e vales, videiras e pinheiros. O sol de outubro ainda aquecia o asfalto da estrada sinuosa que serpenteia a encosta. A escola de Fontes apresentava-se altaneira e orgulhosa no cimo da colina sobranceira a Santa Marta de Penaguião. O vale a perder de vista parece uma concha com saudades do passado. E contou-se uma história do passado. Viajamos ao tempo em que os romanos dominavam a Lusitânia, a Britânia, a Gália, e tantos outros territórios. Falamos da “Lenda de São Martinho”, tantas vezes contadas nos serões à lareira, nas escolas (mesmo as antigas, como a de Fontes) e que pulula quase todos os manuais de português de que há memória. Todos sabemos que Martinho era um soldado romano de coração bom e que teve uma excelente educação para os valores, dada pelo seu pai, pertencente, também ele, ao aclamado e numeroso exército de Roma. O contador de histórias, como todos os bons leitores e narradores, António Martins, professor de português e inglês no agrupamento, acrescentou “novos pontos”: decidiu viajar para a Lusitânia e colocar o garboso soldado em terras de Penaguião. Contou que Martinho viajava desde Roma até à Gália (atual França) no seu cavalo castanho e destemido e que resolveu fazer um desvio por terras nossas, sabendo da fama dos vinhos e dos frutos secos. O soldado levava o alforge repleto de castanhas do Viso e de vinho tinto de Fontes. Ao passar em Sanhoane viu um pobre mendigo à beira do caminho. Naqueles tempos os outonos eram frios, logo desde de setembro, e aquele dia de novembro do século I era particularmente frio, ventoso e pluvioso. De facto, não se falava de aquecimento global, nem se pensava em secas extremas… Naqueles tempos, todavia, havia algo que se tem mantido quase sempre: muita pobreza… Martinho encheu-se de compaixão e amor pelo mendigo. Tirou a sua capa, cortou-a e dividiu-a. Pegou nas castanhas e no vinho e dividiu-o. Reza a lenda que de Sanhoane até à Gália não mais a chuva, o frio ou o vento incomodaram a viagem de Martinho. Em França, Martinho passou a ser sacerdote e mais tarde bispo e continuou a ser uma pessoa com valores de solidariedade, de amizade, de partilha, de bondade, de amor. Mais tarde, foi considerado santo: o São Martinho. Esta lenda permite que ainda hoje se festeje o São Martinho, em novembro, para se comemorar este ato de partilha da capa e da merenda.
As crianças de Fontes ouviram a história como se tivesse sido contada pela primeira vez, como se a neve fosse pisada de fresco, como se a terra fosse lavrada há poucos minutos, como se os seus sorrisos fossem melhores do que todos os sorrisos do mundo, como se as suas vozes inundassem a “velha” escola e se perpetuassem nos corações de todas as crianças do mundo.

O Professor António Martins


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